sexta-feira, março 30, 2007,873241092

Hollow Man



hollow man

come!
walk with us
hollow guy

hollow been
your life
ain't hollow
as you think
nor it need to be
hollow fellow

you yourself
ain't more hollow
than the full moon
hollow person

change your belief
you have much to give
come walk with us
come laught with us

hollow man


segunda-feira, março 19, 2007,873241092

Em uma aula de psicanálise, se não me engano.

        Sou tomado por um relativismo absoluto, parto do pressuposto que todas as correntes, todas as pessoas - em seu contexto e modo de pensar - estão ou estiveram certas. Parto deste pressuposto principalmente para não chegar à conclusão inevitável de que, na verdade, todos estiveram e estão errados, inclusive agora.
        Devo evitar tal conclusão porque sei que, necessariamente, para uma idéia ou noção estar errada, deve estar em contraposição a alguma outra. Para que todas as idéias, cada uma delas, estejam erradas, deve haver uma certa – esta sendo, portanto, a única verdade, absoluta.
        Sei, no íntimo de meu intelecto, que tal aberração não existe. Uma verdade absoluta implica uma razão, um motivo, que guie todas as coisas. O qual não acho plausível.
        Além disso, a aceitação de uma verdade absoluta leva inevitavelmente ao erro absoluto. Cada geração, na certeza necessária de que sua concepção é válida e, além disso, crendo na existência de uma verdade absoluta, sentirá-se livre para levar suas crenças às ultimas conseqüências. “Se estou certo, só posso estar absolutamente certo, portanto não preciso temer um erro”.
        O relativismo leva a aceitação de seus próprios erros.


segunda-feira, março 12, 2007,873241092

Contando os segundos para a aula acabar.

Tempo tempo tempo tempo tempo tempo tempo
Segundo é tempo? Não, segundo é medida de tempo. Um segundo - este é tempo? Um segundo é um espaço de tempo ou fração de tempo. Mas é mesmo? Se um segundo é fração de tempo, implica que o tempo é algo - um espaço maior apenas. Um segundo é fração de dois segundos, ou dois minutos, ou dois anos. E ainda que o tempo seja infinito, ele é só isso. Só isso o que? Dizendo "só" você mesmo sugere um termo mais amplo. Este tempo que é conjunto de segundos é apenas o passar do tempo. Como assim? Não sei. Vamos analisar por esta metáfora -  veremos se é adequada. Diga. Imagine um trem, ele passa à sua frente e você conta vagão por vagão que vai passando, como se contam os segundos que passam do tempo. Cada vagão é o trem? Cada vagão compõe o trem, pode-se dizer que todos os vagões juntos são o trem. Sim, mas então considera comigo que, ao contar os vagões, eles deixam de ser o que são. Como? Cada vagão que você conta não é mais o vagão em si, torna-se uma unidade de medida. Imagina que em vez de um trem, seja uma longa régua, e o que você 
conta são os centímetros, ou metros, impressos na régua.  A régua mede tantos centímetros quanto você contar, mas os centímetros não formam a régua.
 Entendo, quer dizer que o tempo não é a mensuração que damos do tempo, nem é composto por ela. É um ponto. (...) Mas sabe... O que? Cada centímetro lido na régua não é parte da aula (ops, um deslize aqui, quiz dizer não é parte dela), apenas parte de sua medida. Foi o que disse. Sim, mas é inevitável dizer que cada centímetro representava parte da régua -  a régua era composta por elementos que foram divididos segundo centímetros e esses, os elementos, formam a régua. Então os minutos e segundos são, não frações de tempo, mas as representações que atribuímos a estas frações. Sim. Bom, mas o que é então o tempo? Einstein falou (eu arrisco chutar) que o tempo é relativo - o tempo varia segundo a velocidade absoluta em que algo se move. Daí podemos dizer que cada pessoa, se movendo em velocidade diferente das outras pessoas, tem seu tempo, por exemplo - ou seja, existem muitos e diferentes tempos. E nós vamos pegando tempos diferentes à medida que aceleramos e freiamos? Isto não está certo; não é o tempo que é relativo, mas a passagem dele. A depender da velocidade absoluta que um corpo assume, o tempo passa em ritmo diferente para ele, em comparação aos corpos que se movem em outras velocidades. Está novamente associado a representação do tempo. É verdade. Começo a questionar... O que? Existe tempo, ou apenas representação de tempo? E como poderíamos representar uma coisa que não existe? Existem muitas representações para coisas que não existem. Existem signos para construções abstratas, idéias e mesmo delírios da imaginação. O tempo pode ser, por exemplo, um artifício que criamos para interpretar o movimento. Deslocamento é igual a velocidade vezes o tempo... Tempo é igual a deslocamento sobre velocidade; o tempo pode ser um artifice para representar o movimento segundo um diferencial de velocidades. O que impede então que o movimento seja um artifice, ou o espaço e a velocidade? Você pode se deslocar livremente no espaço, pode avançar e voltar e, portanto, atingir um mesmo ponto do espaço em que esteve antes. Pode mover sempre numa velocidade, aumentá-la, diminuí-la e voltar àquela inicial. Mas não é um argumento muito bom este, certo? Certo... Porque espaço não é movimento... O espaço existe, ponto. O que se dizer do movimento e da velocidade?

acabou a aula

sábado, março 10, 2007,873241092

Este será postado no dia 31/03

Demonstrando total falta de respeito com a cronologia de postagens, eu posto este post muito antes dos vários que o antecederam.
Este blog era preu falar de mim mesmo (como todo blog meia boca é, eu imagino), então ele já começa errado. O blog precisa de uma reformulação, foi feito numa época da minha vida - por assim dizer - e agora encontro-me em outra. Sei que devo inclusive mudar o nome do blog (um dia), mas não estou com vontade de fazer isso. Também não estou com vontade de escrever sobre mim, não encontro inspiração ou espírito necessário. Como brinquei comigo mesmo, talvez assistir a tantas aulas sobre psicanálise tenha me deixado paranóico sobre falar sobre mim mesmo - tenho medo que me analisem, ou pior, que eu comece a analisar a mim mesmo O_o.

Isso e outras coisas talvez...

Mas tenho um apego ao blog - afinal ele é meu. E sinto sempre uma dívida de postar algo nele nem que seja para justificar sua continuidade. Não espero realmente que estejam lendo ele com a pouquíssima frequência em que posto (mas gosto de pensar que estão).

Então na falta do que postar, e na necessidade de fazê-lo, vou sair botando aqui as únicas coisas que tenho escrito - rabiscos de sala de aula.

vou também posta-los nas datas que imagino que foram escritos (assim parece até que já estou fazendo isso há alguns dias =P). Por isso este post saiu bem antes do que saiu.

bom, é isso.

domingo, março 04, 2007,873241092

(comentário)

Foi um texto meio confuso esse anterior e não sei até agora se eu disse uma verdade que era só minha ou de muitas pessoas.
Despedi do John e vim com o texto crescendo na cabeça, buscando idéias lá e cá. Nunca sei realmente que rumo um texto vai levar quando o começo. Se tento limita-lo a um rumo pré-definido ele naturalmente morre sufocado e não vinga.
Falo isso porque, por exemplo, enquanto vinha pra casa havia decidido acrescentar aos comentários uma idéia que já tinha desenvolvido antes que também envolvia: tempo, o modo como nossa percepção do mundo muda desde a infância e um outro dito popular.
Comecei a escrever o texto e ele tomou um caminho diferente, onde não cabiam mais outras idéias. Faço este comentário porque fiquei com vontade de trabalha-la aqui.

Como eu disse, envolve tempo, mudança de percepção e uma frase comum. É a de que cada vez os tempos passam mais rápido.
Sempre foi um paradoxo de minhas idéias desde que posso me lembrar. Porque é ilógico, absurdo, impossível, que o fluxo do tempo esteja acelerando. Não há uma lei física contra isto (eu acho), mas mesmo assim sempre me recusei a aceitar tal idéia literalmente. Se o tempo estivesse em aceleração, ele com certeza uma hora iria descarilhar. E, no entanto, desde aqueles momentos de infância, era inegável: a cada ano os anos parecem passar mais rápido. Mesmo hoje isso é inegável: comparado a outros tempos, estes últimos cinco anos se passaram num segundo. Parece que foi ontem que cheguei aqui em BH e apesar de muita coisa ter acontecido desde então, é difícil me convencer de que foi tanto tempo.
E não é uma coisa que só eu penso. Como escrevi, é consenso geral, algo que todos falam. Já li até livros e quadrinhos satirizando isso, criando explicações mirabolantes para o tempo realmente estar se acelerando.
Entretanto sei que não é verdade. Daí qual é a explicação possível pra isso? Já li também explicações em fontes mais sérias. De que a era da comunicação, a correria das cidades, o excesso de informações que recebemos que causam esta ilusão de que o tempo está acelerando. Interessante, mas nunca me convenceu.
A sensação de o tempo acelerar é um comentário que já vi, através da mídia e da internet, ser feito por pessoas de todo o mundo e, através do boca a boca, pelas pessoas mais diferentes. Pensei comigo mesmo que estas muitas pessoas diferentes levam vidas diferentes demais para sentirem o mesmo exato efeito. Existem pessoas, por exemplo que sempre viveram em constante correria, existem outras que já tiveram vidas mais atarefadas e depois desaceleraram o ritmo e algumas destas já me fizeram o mesmo comentário. Além disso, se fosse o excesso de informação que causasse a ilusão de o tempo acelerar, implicaria que você eventualmente teria de se tornar uma máquina de absorver dados para manter esta sensação. E conheço pessoas, por exemplo que estudavam e depois passaram um ano parados e mantiveram o comentário. Talvez um contra-argumento fraco este, mas não importa, o fato é que esta hipótese sobre a era da informação sempre me pareceu fraca.

Veio-me outro dia uma idéia que é para mim, agora, uma hipótese melhor do que qualquer outra que jamais ouvi.

Estava pensando justamente em como nossa mente deteriora com o tempo. É fato – leia onde quiser se duvidar – a eficiência de nosso cérebro deteriora com o tempo e ele é muito mais potente em nossa primeira infância do que em todo o resto de nossa vida. Isso é um ponto. O outro talvez tenha a ver com um argumento sobre experiência mediata e imediata que estudamos no começo do curso de psicologia. O de que quando vemos algo, quando vivenciamos um fato, nós sempre estamos processando ele comparando com outros fatos que já passamos. Nós interpretamos o que vemos.
O argumento da experiência imediata é que se vivenciássemos alguma coisa pela primeira vez, sem nenhuma base de comparação anterior – como acontece com recém nascidos, por exemplo – nós absorveríamos a percepção em si, sem interpretações ou comparações com experiencias passadas.
Realmente, sem base para interpretar o que vemos, teríamos que gravar e absorver cada mínima percepção na experiência. Mas a medida que novas experiências do mesmo tipo vão passando, aprendemos como interpreta-las. Em qualquer trabalho de processamento de dados isso é fácil de perceber. Existem dados que são os importantes, eles definem os resultados da pesquisa e existem outros que são sempre repetidos e você passa a ignorar e mesmo dados que variam, mas sem alterar os resultados finais.
Também em nossas vivências isso é comum. Quando iniciamos uma nova rotina, por exemplo se saímos da escola para faculdade. A faculdade possui uma infinidade de espaços e pessoas diferentes das quais convivíamos antes, também possui protocolos, diretórios e regras que não seguíamos antes. Um calouro leva sempre algum tempo para se acostumar as normas e problemas da faculdade, além de conhecer seus colegas e de tipificar as pessoas que povoam esse ambiente. O primeiro semestre sempre é muito intenso, mas eventualmente nos acostumamos com essas coisas até que viram rotina, seguimos as regras e enfrentamos os problemas comuns do dia a dia quase de olhos fechados.
É assim com tudo. Mesmo em filmes, recordo, as cenas sempre me parecem passar mais rápido depois da primeira vez que os vi. À medida que vamos vivendo, vamos tipificando o mundo, aprendemos exatamente o que procurar para completar uma tarefa ou entender um fato que se repete muito, sem perder tempo compreendendo cada um dos seus elementos como fizemos na primeira vez. Quanto mais fazemos as mesmas coisas menos temos o que observar nelas.
O resultado é que nossas primeiras lembranças da vida são riquíssimas, cheias de fatos e elementos que nunca havíamos experimentado antes e por isso mesmo tivemos que grava-los todos. E a medida que crescemos vamos criando memórias mais compactas, cheias de lacunas que completamos naturalmente com aqueles elementos comuns que sempre estão no mesmo lugar. Numa comparação meio tosca, se nossa memória fosse como um HD de computador, as memórias relativas aos primeiros cinco anos de nossa vida gastariam tanto espaço quanto os oito seguintes, esses oito gastariam o mesmo que os quinze consecutivos e daí exponencialmente. Até porque, como já disse no início, à medida que crescemos, menos eficientemente gravamos as coisas. Então mesmo que mudássemos nossas experiências radicalmente de tempos em tempos, essa sensação de os anos passarem mais rápido continuaria, ainda que mais fraca.

Hum... foi outro texto maior que o anterior. Eu estou com sono então me perdoem se não tiverem entendido alguma coisa. Mas minha opinião é mesmo esta, os anos parecem passar mais rápido porque cada vez menos prestamos atenção ao que nos ocorre. Apenas supomos que as coisas vão se repetir sempre.

Agora vou dormir, um abraço!

sábado, março 03, 2007,873241092

Tempo

O John passou aqui em casa hoje. Entre muitas coisas que ele disse numa conversa emocionada, uma eu tive que retirar do contexto do resto porque ela me fez pensar. Bom, nesse ponto vou ser injusto, ele disse muita coisa de mais peso, mas essa frase despertou minha curiosidade.
E eu escrevo aqui sobre o que eu quiser.

Ele disse uma frase muito comum na verdade, um daqueles clichês que até passam despercebidos como tais, e que as pessoas adoram falar. Algo como “Nesses tempos as pessoas são muito individualistas, mais materialistas, elas perderam a magia”. Bom, foi algo nesse sentido que ele disse, e a frase comum segue este sentido: estes são tempos piores porque as pessoas são piores.
Foi aí que eu me intriguei. Duas linhas de pensamento estalaram na minha cabeça. A primeira é que conheço o John, pelo menos o suficiente para saber que vivo nos mesmos tempos que ele, temos idades próximas e crescemos em períodos parecidos – essencialmente vivemos os mesmos tempos. Conclusão banal, você pode pensar, no entanto importante pela possibilidade que surgiu daí: posso dizer que vivo, basicamente, os mesmos tempos que todas as pessoas que já ouvi dizerem esta frase. Dane-se se algumas delas tiverem o triplo de minha idade! Os tempos mudam sim, mas não desse geito.
Aceitar isto, que na verdade vivemos todos, seja qual a idade, mais ou menos os mesmos tempos, me permitiu considerar esta frase pela primeira vez. O que leva a segunda linha de pensamento. A frase implica duas idéias básicas: se reclamamos que vivemos em tempos piores, quer dizer que houveram melhores antes e, naturalmente, para estarmos falando isto, nós vivemos neles.
MENTIRA! Foi o que minha mente gritou naquela fração de segundo que a mente leva para formular uma idéia. Os tempos sempre foram assim, as pessoas nunca foram diferentes, não importa o quanto você queira se enganar. As pessoas são tão materialistas, individualistas e desprovidas desta ideológica magia quanto sempre foram. Pelo menos até onde você pode se lembrar.
Sempre que digo isso tendo imediatamente a imaginar um passado ideológico onde as pessoas eram mais espiritualizadas ou mais inocentes ou com um melhor senso de comunhão. Pode ter havido, pode haver no prédio ao lado, mas VOCÊ NÃO VIVEU ESTE TEMPO.
Espere, espere! O que quero dizer, e não sei se vou conseguir me expressar melhor desta vez, é que não foram os tempos que mudaram. Esse tempo do qual você lamenta a perda, onde as pessoas eram melhores e o mundo tinha mais magia, é a sua infância. Você que era menos individualista, menos materialista, menos ambicioso, menos estressado ou menos seja o que for de que esteja reclamando. Você que via mais magia neste mundo.
Não foram as pessoas que mudaram. FOI VOCÊ.

Não estou escrevendo isto para insultar você John e nem mesmo para repreender as pessoas que já soltaram esta frase como um todo. Tudo isto que escrevi acima, tão mastigado quanto consegui deixar, me veio em uma fração de segundo. Me pegou de surpresa por que é uma frase que todos tendemos a concordar, pelo menos eu fazia isso sem nem refletir, que os tempos que estão piores. Os tempos não estão piores, eles nem mudaram – eles mudam o tempo todo, mas não como a frase implica. Nós que mudamos com o tempo.
Não quer dizer também que pioramos, eu espero. Não podemos ser crianças para sempre. Até porque o mundo não é mais simples nem menos cruel com elas, nós só tivemos este tempo de inocência e magia porque fomos protegidos por nossos pais do mundo de verdade. Não poderíamos ser protegidos pra sempre. Seria viver em ilusão.
Bom, este é o mundo real, ele tem todos os seus problemas e limitações, mas há muito que podemos fazer nele.

(frase piegas e bunitinha de fim de texto)